1/24/2008


Por que a Índia??

Uma pergunta que ouvimos muito no último ano talvez só possa ser melhor respondida agora. Costumávamos responder que a Índia estava sendo pioneira na criação desse modelo de negócio que estava tanto focado em obtenção de lucro quanto em impacto socio-ambiental. Claro, os cases nos levavam a crer nisso. Mas a pergunta nunca parecia totalmente respondida.

A Índia, com suas 17 línguas oficiais, inúmeros grupos religiosos e deuses, animais sagrados, cores. Um país com mais de um bilhão de habitantes, rápido crescimento econômico e trinta por cento da população abaixo da linha da pobreza. Um país contraditório, com tanta tecnologia e miséria. E totalmente fascinante. O que não podíamos imaginar era a intensidade de percepções para tentar responder essa pergunta.

As pessoas são muito receptivas, mesmo quando não falam sua língua. Dá para entender porque Gandhi e a comunicação não-violenta cresceram tanto aqui - as pessoas sempre se dispõem a dialogar, até por mímica, mesmo que elas estejam passando pela rua e percebam que você está perdido. São muito curiosas, e bastante tolerantes com outras culturas e religiões.

Num primeiro momento, o cheiro é muito forte. Um cheiro que não conhecemos no Brasil. É um cheiro de curry mesmo, na rua, que depois de alguns dias, nem sentimos mais.

As vacas, ratos e elefantes são sagrados, mas mesmo assim, em Mumbai, que é um pouco maior que São Paulo, é difícil vê-los nas ruas (exceto os ratos). Em outras cidades, é mais comum encontrar outros animais. Agora, sagrado não quer dizer que são super bem cuidados, pelo contrário. Estão soltos nas ruas, abandonados à própria sorte.

O trânsito é um capítulo a parte. A buzina é um item necessário e super utilizado, o que nos assustou um pouco. Não existe faixa para carro, ou melhor, ninguém segue a faixa. O semáforo também é um luxo em desuso. Quando tem, é como se não tivesse. O tipo mais comum de taxi é uma motoca que teoricamente são para três pessoas atrás, mas na prática já vimos OITO!

As calçadas não são utilizadas, em geral tem bastante entulho e são muito desniveladas. Encontramos placas pedindo para as pessoas andarem pelas ruas, no asfalto, em meio ao trânsito...!

Então, no meio desse cenário caótico, como as coisas de fato funcionam??

Bom, as respostas não são tão claras como as primeiras percepções. O diálogo é, sem dúvida, uma das formas dos problemas e conflitos se resolverem. As religiões em minoria tem bairros mais definidos, mas nem por isso deixam de conviver com outras, e muitas vezes pudemos perceber a interação entre elas, em locais públicos e privados. Digamos que é uma co-existência pacífica. Claro, conflitos existem, mas não são o centro das atenções.

As mulheres tem papel muito relevante dentro das famílias, e é difícil vê-las nas ruas. Mas a Índia está se modernizando. E um dos pontos de maior diferença, segundo uma das entrevistadas, é que o casamento passe a ser, cada vez mais, por desejo do casal do que arranjado pelas famílias, e que a participação das mulheres na economia e política aumente.

Ao mesmo tempo, a forma de educar as crianças é muito interessante. É bastante visível o quanto eles amam as crianças, e dão liberdade na medida certa para suas brincadeiras e desenvolvimento. Não vimos pais batendo em crianças, nem gritando. Dizem não, e são respeitados por elas. Talvez isso mostre um pouco do respeito pelos mais velhos, e nos faça lembrar o respeito à história e tradição indiana.

Por último, vale ressaltar que está provado, pelo menos para nós, que a pobreza nem sempre é a grande motivadora da violência. Com tanta pobreza, aqui a violência nem se aproxima da do Brasil. Talvez pela religião, talvez pela tolerância. Talvez por uma série de motivos que não fomos capazes de perceber.

5 comentários:

Luciana disse...

Oi pessoas!!! (Saudade...)

Gostaria de parabenizar o autor/a/es do texto. MUITO bem escrito! - Quem escreveu, por certo, não se esqueceu do português, apesar dos tantos idiomas com os quais vocês devem ter se deparado...

Desejo muito trabalho, novas vivências, novos ares e bastante sorte (porque, apesar da incontestável competência de vocês, um pouquinho de sorte não faz mal a ninguém!)


Beijos,
Lu (Magalhães)

Renata Cho disse...

Amamos vocês!!!
Estamos MUITO orgulhosos e com saudade!

Beijos
Rê e Neto

li ferraz disse...

EITA orgulho bom de se ter.....
parabéns!!!

Dani disse...

Ah, mandando mto aí galera! O blog tá p máximo!!!
Beijão!

joao.matsuda disse...

Parabéns pessoal! Com este blog, posso viajar com vocês! Cuidem-se!
Beijos.
Joao Matsuda (Liza)

O que é um Negócio Social?

Organização cuja missão é explícitamente de transformação social e que para isso adota estratégias de negócios geradoras de renda como principal veículo para atingir seu propósito social, impactando diretamente a vida de populações fragilizadas. Pode assumir um modelo com ou sem finalidade lucrativa, mas sua autonomia financeira é dada pela atividade-fim da empresa. Os principais campos de atuação são: alimentação, serviços financeiros, acesso à energia e água potável, desenvolvimento econônomico, saúde, etc.